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O Paradoxo do conhecimento (ou da ignorância)

Poker é um jogo de habilidade com a sorte também desempenhando um grande papel. Todos sabemos disso. É claro, que a técnica dos bons jogadores vai se sobressair no fim, mas graças ao componente sorte, em um determinado dia, qualquer um pode vencer. E pequenas vitórias que jogadores não habilidosos conseguem podem os iludir quanto a suas reais chances no longo prazo.

Até aí, tudo que eu disse é lógico, mas na realidade, se torna ainda pior. Os jogadores não-habilidosos sofrem do que chamamos no campo da psicologia de Efeito Dunning-Kruger.

O Efeito Dunning Kruger é um viés cognitivo no qual indíviduos não habilidosos sofrem de SUPERIORIDADE ILUSÓRIA, e inadequadamente supõe que sua habilidade é muito maior do que realmente é. Isso acontece devido a uma inabilidade metacognitiva de reconhecer sua inaptitude. Será que isso acontece muito no poker? Quantas pessoas você conhece que apesar de não terem muito conhecimento teórico para embasar suas escolhas, se acham muito superiores em habilidade a outros jogadores?

Agora, o título do post fala de um paradoxo. E aqui o Efeito Dunning-Kruger se completa. Os jogador que na verdade é compentente e habilidoso, pode ter sua auto-confiança diminuída, por falsamente assumir que os outros jogadores tem um entendimento do jogo equivalente ao seu.

Os postulantes da teoria David dunning e Justin Kruger concluem:

“O descalibre dos incompetentes vem de um erro de avaliação de si mesmos (SELF), enquanto o descalibre dos altamente competentes vem de uma hipervalorização dos outros.”

Em português claro, o poker é tão complexo matematica e estratégicamente, que até hoje, ninguém conseguiu “solucionar” o jogo, ou seja, achar uma fórmula para jogar perfeitamente. Alguns teóricos tentam aplicar o que chamamos de GTO (Game Theory Optimal) para minimizar as chances de erro. Só que quem não estuda o jogo, costuma achar que o que sabe é suficiente. Os jogadores de poker se escondem na superificialidade e acabam se achando melhores do que realmente são.

Para que fazer um curso? Para que discutir com outra pessoa mais habilidosa ou estudiosa que eu se eu já ganhei o torneio X ou Y?

Porque deveria me esforçar para aprender mais se eu já li alguns artigos e com isso já consegui até ganhar do “Steve Wyvey” (coloque qualquer nome aqui)?

Indo um pouco além, o fenômeno foi testado pela primeira vez em experimentos publicados em 1999 por dunning e Kruger pela Universidade de Cornell. Eles apontaram que a ignorância de padrões standard de perfomance está por trás de grande parte da incompetência no assunto. Isso aparecia em diversos campos como compreensão de leitura, operar um veículo a motor ou jogar xadrez e tênis.

Pessoas incompetentes irão:

1- Superestimar seu próprio nível de habilidade

2- Falhar em reconhecer a habilidade em outros

3- Falhar em reconhecer o quão extrema é sua inadequação

4- Reconhecer e aceitar sua falta de habilidade inicial, após ser exposto ao treinamento daquela habilidade.

Esse é um feito, que claro, acabo vendo bastante após os cursos. É como se um mundo novo se abrisse. Muitos alunos, que já tinham lido meu livro e jogam a algum tempo, chegam no curso achando que não tem mais o que aprender. Por incrível que pareça, fazem o curso, mas chegam achando que vão apenas fazer uma revisão do que já sabem. E de repente, o mundo se abre. Ao aprender e entender alguns conceitos que desconheciam, é como se um novo mundo se abrisse. É ver o efeito Dunning e Kruger em ação.

Que fique muito claro, ninguém nasce sabendo. Se não buscarmos ativamente o conhecimento, estaremos sempre cegos ao que não sabemos. E em alguns casos, tenderemos a nos expor a esse efeito, e achar que somos melhores do que somos, em atividades que requerem habilidades específicas.

E porque nem todos tem a capacidade de ensinar algo? Esse efeito também explica isso. Pessoas que possuem a habilidade tendem a imaginar que para todos é tão fácil quanto para si próprios. Ou seja, eles assumem, que todos já sabem aquilo, e portanto, não conseguem colocar o esforço necessário para passar aquele conhecimento.

Por esse motivo, estou sempre reavaliando meus próprios cursos. Tentando ver se didaticamente, estou conseguindo passar até aquilo que assumo que todos os alunos já sabem, sem entretanto, perder o foco nos tópicos mais avançados do jogo. E assim, tenho surpreendido os alunos.

A mensagem é: busque sempre o conhecimento. A ignorância gera a falsa sensação de conhecimento e habilidade e pode ser o veneno que te afasta dos resultados de longo prazo.

Quem quiser aproveitar a oportunidade, restam poucas vagas para o curso dessa quarta e quinta-feira 8 e 9 de janeiro, sobre MTTs. Invista no seu próprio jogo e pelo menos procurem ver se realmente havia algo mais a aprender. Para se inscrever, me envie um email em leobello@leobello.com.br que repasso mais informações. Acesse esta página (http://old.leobello.com.br/players/curso-online) para mais informações.