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Preconceito, religião e imortalidade

Há algum tempo minha esposa, Louiseana, sugere que eu use o espaço do meu site para falar sobre assuntos off-poker também. Afinal, a minha alma é de um escritor e gosto de escrever sobre vários assuntos e não só sobre poker. Mas ao mesmo tempo, tenho consciência que aqueles que procuram o meu site, querem mais é saber de poker, de técnicas e de mãos.

Sei que posso escrever aqui também sobre negócios, tema do meu último livro. E logo, pretendo mostrar que tenho mais ases na minha manga. Estou escrevendo um livro sobre talentos que transcende os temas que até hoje abordei. Quem sabe em alguns anos, os meus leitores estarão procurando mais que simplesmente o poker nos meus textos.

Essa semana de Carnaval trouxe algumas polêmicas na minha timeline do Facebook, e então pensei que seria um bom momento para escrever algo diferente aqui no meu blog. E não foram temas simples. Um que deu bastante discussão foi ligado à homofobia e ao preconceito. Postei um vídeo do Jair Bolsonaro em um documentário do Stephen Fry sobre homofobia. Embora o documentário seja tendencioso, puxando a sardinha para sua opinião e com algumas afirmações fortes (como a existência de grupos neonazistas no Rio de Janeiro), o ponto principal que me chocou foram as opiniões “quadradas” e “preconceituosas” do Bolsonaro que vieram revestidas de afirmações como:

– A sociedade brasileira não gosta de homossexual.

– Tua cultura é diferente da nossa. Nós não estamos preparados no Brasil. Porque nenhum pai, nem você, nem eu, tem orgulho em ter um filho gay.

Ele fala como se representasse a minha opinião e a da maioria do país.

Quanto à minha, certeza que ele não representa. Mas o que me deixou mais com a pulga atrás da orelha é que pode ser que ele realmente represente a opinião de uma grande parcela da nossa população.

O que há por trás dessa opinião da sociedade? Princípios de uma religião que não aceita o homossexualismo como algo normal? Vê a diferença como algo que ameaça a instituição familiar?

E por trás dessa opinião, vem um revestimento da sua moral trazendo a religião, e uma interpretação dos princípios religiosos como o balisamento para suas opiniões preconceituosas. Frases como: “com certeza você não teria orgulho se seu filho fosse gay”. Ou ainda, “se você informar e educar crianças, corre o risco de fazer com que elas tenham mais chances de se tornarem gays”.

Existe um projeto de lei que visa trazer as escolas um material didático para tentar educar e não criar novos homofóbicos. Bolsonaro afirma que isso pode fazer com que crianças de 6 anos comecem a ter tendências homossexuais. O ponto é que não é a informação que define a opção sexual de um indivíduo. Essa formação se dará por múltiplos fatores, que envolvem genética, ambiente, preferências, personalidade e orientações. Agora, a aceitação das diferenças, essa sim, deve ser ensinada para nossas crianças.

Lamentável imaginar que uma grande parcela da nossa população ainda pense e defenda atitudes como a do Bolsonaro.

Segue o documentário que estou a citar:

 

Tenho lido muito sobre religião nos últimos tempos. Inclusive lido muito também sobre grandes pensadores que em seus trabalhos ligados ao materialismo científico, aventam a hipótese da existência mundana sem um Deus. Charles Darwin e sua teoria de evolução das espécies, ou por exemplo, Stephen Hawking e outros físicos falando sobre planetas, matéria e física quântica. Nessas procuras, ainda outro dia, assisti a um vídeo que falava que a religião poderia ser enxergue como um grande mal, por trás de guerras, lutas pelo poder, ódio entre povos e também sobre como algo que impede a progressão da sociedade. Ao botar o seu destino nas mãos do Deus de sua religião, algumas vezes, isso pode impedir o progresso do indivíduo. Está doente? – Deus irá curá-lo. Precisa de um emprego? – Não se preocupe que Deus vai iluminar o seu caminho.

Não quero entrar num assunto aqui tão polêmico quanto religião e crenças. Respeito todas. Gosto muito de estudar as motivações do ser humano e o alcance da mente em tentar entender e explicar nossa existência e o sentido da vida.

Estou lendo um livro chamado A busca pela Imortalidade: a obsessão humana em ludibriar a morte, de John Gray. O livro vai no século passado buscar as origens das primeiras pesquisas sobre o psiquismo, espiritismo e métodos de comunicação com quem já morreu. O livro vai discorrendo sobre os dois lados: os que acreditam na vida após a morte e os que são céticos. Muito interessante ver os esforços nos dois sentidos.

E como o título sugere, o livro vai abordando o porquê nós fazemos tanta questão de acreditar que há um depois, seja um céu ou inferno, seja uma reencarnação, seja um estado de luz ou outra dimensão. É difícil aceitar que nossa vida, o que temos de mais grandioso, possa simplesmente acabar. Isso leva até mesmo a discussões éticas do porque seguir uma vida regrada em princípios sociais e morais, e não seguir uma linha mais egoísta e centrada no eu, se a sua vida não terá uma continuidade ou uma consequência, um ajuste de contas celestial.

Voltando ao Bolsonaro e ao Stephen Fry, o documentário expressa uma opinião que pode ser contestada e tem certas inclinações tendenciosas. Mas o grande fato é que é necessário termos mecanismos, não para favorecer minorias em detrimento de outras camadas da sociedade, e sim, para dar os mesmos direitos as minorias.

Não sou a favor de uma lei de cotas em universidades, por exemplo. Sou a favor de uma política que coloque em igualdade de condições as pessoas que estudaram e tem capacidade para estar naquela universidade.

Homofobia ou qualquer tipo de atitude criminosa discriminatória deve ser punida. Crimes de ódio, intolerância e racismo são pragas em qualquer sociedade. Somos iguais ao mesmo tempo que somos todos diferentes e únicos.

Como já me alonguei demais vou deixar para um outro post, o assunto da revolta com o patrocínio da Beija-Flor no Carnaval do Rio de Janeiro. Quem tiver curiosidade sobre a minha opinião, visite meu perfil no Facebook, ou minha fan page por lá.

Enquanto divago aqui sobre preconceitos, moral e nossa própria existência, volto a me perguntar, se esse blog não deveria sempre manter uma linha no poker (mais fácil de entender e dominar).

Tenho novidades nessa área também. Terminei essa semana de gravar AS ÚLTIMAS PARTES do vídeo sobre o SCOOP do Nicolau. Digo, as últimas porque faltava só a mesa final, mas, só a mesa final deu mais de 2 horas de gravações e tive de dividir em dois vídeos.

O torneio inteiro vai ter mais de 7 horas em aulas e o material ficou de primeira. Quem quiser adquirir essa vídeo aula, é so me mandar email em leobello@leobello.com.br. Assim que der posto um demo dessa mesa final.

E essa semana tem curso de MTTs, quem quiser participar, as inscrições estão abertas em leobello@leobello.com.br

CURSO_FEVEREIRO_480